EJUD8 encerra ano letivo de 2016 com palestra de Leandro Karnal

— Foto: ASCOM8

 

Na última sexta-feira (02), a Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região encerrou o ano letivo com a realização da palestra “Modernidade líquida e os desafios do judiciário”, proferida pelo Doutor em História Social Leandro Karnal. Professor Doutor da Unicamp, Karnal é autor de diversos livros e sua formação cruza história cultural, antropologia e filosofia.

A palestra teve como principal foco o tema ética e durante sua exposição abordou o momento atual que o país está vivendo, o isolamento da sociedade em torno do mundo virtual, fez uma análise histórica da tradição do Brasil com as leis e apresentou o conceito de mundo líquido, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, segundo o qual o mundo hoje é sem fronteiras, sem barreiras, no qual não se tem mais certezas, e as mudanças são permanentes e rápidas.

Neste contexto, Karnal falou sobre a noção de direitos e o papel do judiciário. Segundo ele, vivemos a era de direitos e não se consegue equilibrar direitos e deveres, por outro lado, as pessoas depositam sua esperança na justiça. "Se deposita mais esperança no judiciário, se exige mais, se vigia mais, se cobra mais resultados e se tira mais recursos. Há uma contradição. Esse é o grande desafio de um mundo cada vez mais escasso em tempo, em pessoal e que cada vez demanda maior produtividade. Precisamos, em todos os setores, pedir mais verba, mais atenção, mais presença do Estado nas coisas essenciais e, ao mesmo tempo, isso nos coloca o desafio de produzir mais com menos", afirmou.

Para ele, o grande desafio da sociedade é o diálogo entre o bem individual e o bem comum, e a ética como modo de diálogo é um dos grandes desafios do mundo líquido. “No mundo líquido a autoridade declina e isso atinge os juízes. É preciso restaurar valores, restaurar a autoridade e não o autoritarismo, e saber que todos têm funções complementares”, destacou.

Sobre ética, Karnal acredita que vivemos um momento de purgação, mas as pessoas estão mais sensíveis ao tema. “O tema da ética é um tema universal, todas as categorias profissionais e sociais precisam disso. Porém, o judiciário lida com o atrito, e lida com o atrito de uma sociedade marcada pela diferença, marcada pelo choque de interesses, então, mais do que qualquer outra instituição, o judiciário precisa dessa sensibilidade para o atrito baseado na ética”, declarou.

Reunindo um público de mais de 200 pessoas, entre magistrados, servidores e estagiários do TRT8, a palestra foi considerada uma das mais importantes do ano de 2016 já realizadas pela EJUD8. “Essa palestra foi fundamental. Num momento de dificuldade como este que estamos vivendo, que nos gera perplexidade, a gente tem que se voltar para fonte, para origem, fazer o caminho inverso e revisitar os primeiros consensos de convivência que construímos, que são nossos princípios especialmente construídos com base na sabedoria de vida, na filosofia. É fundamental que tenhamos esse tipo de abordagem como coroamento de um ano letivo”, declarou o Juiz do Trabalho Jonatas Andrade, Titular da 2ª Vara do Trabalho de Marabá.

Para o assessor da Vice-presidência do TRT8, Fabrício Hadad, o tema escolhido foi fundamental. “Parabenizo a iniciativa da escola. Achei excelente, porque a questão da ética é sempre muito ligada a justiça, é sempre um tema atual e relevante, tanto para o nosso trabalho, como para a sociedade brasileira como um todo, e como foi excelentemente exposto, é precisa este tipo de reflexão para que de fato se resgate a ética e os valores tão frágeis na nossa sociedade”, afirmou. O Juiz do Trabalho Substituto Vinícius de Paiva, considerou a palestra muito interessante, pois destacou as dificuldades do judiciário nesta sociedade líquida. "Foi importante porque cabe ao juiz fazer essa reflexão e colocar isso em prática no momento do julgamento. Com certeza a escola encerrou o ano letivo com chave de ouro", finalizou.

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